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terça-feira, 9 de março de 2010

Toninho Buda e a Sociedade Alternativa

Por  Toninho Buda

Quando se fala de Sociedade Alternativa, aqui no Brasil, é importante destacar que podemos estar falando de pelo menos 3 coisas diferentes:
1. Sociedade Alternativa de uma forma geral, cujo conceito pode envolver até a Jovem Guarda e a Tropicália, além de Zé Ramalho, Luis Carlos Maciel e muitas outras pessoas.
2. A Sociedade Alternativa de Raul Seixas e Paulo Coelho, um movimento de cunho esotérico, em 1973, baseada no Livro da Lei, de Aleister Crowley.
3. A Sociedade Alternativa que Paulo Coelho tentou reativar desde o início dos anos 80, que era um movimento mais amplo, que envolvia comunidades alternativas, pessoas da Ufologia, empresários, gerentes de grande editoras, e principalmente a Revista Planeta. Toninho Buda conviveu com Paulo Coelho de 1981 a 1986. Ele conheceu pessoalmente Paulo Coelho em 1981. Em 1986, quando ambos estavam tentando reativar a Sociedade Alternativa e fazendo um jornal juntos. 

Paulo Coelho, Toninho Buda, Sylvio Passos e Edinho, na casa do Paulo, Rio, 1986
Paulo Coelho, Edinho (fundo), Toninho Buda e Sylvio Passos, Rio, 1986

Vejamos alguns detalhes principais de cada uma delas e suas relações com o trabalho de Toninho Buda:

A Sociedade Alternativa de forma geral.
A sociedade alternativa (ou sociedades alternativas, como muitos preferem) teve sua origem remota no Movimento Beat (ou Beat Generation), da Califórnia, no final dos anos 50. Em rápidas pinceladas, o movimento Beat, que era constituído principalmente por poetas, deu origem ao Movimento Hippie, que tomou a juventude americana a partir do início dos anos 60 e o resto do mundo nos anos seguintes. Entre as suas expressões mundiais mais fortes, estavam, por exemplo, o rock´n´roll, cabelos compridos para homens, drogas e uma atitude muito aberta perante a vida. A substituição do conformismo pela rebeldia, do autoritarismo pela democracia, da opressão pela alienação, do revólver pela flor e um retorno à terra e às coisas da natureza.
Esse movimento daria origem, no Brasil, por volta de 1963, à Jovem Guarda de Roberto e Erasmo Carlos, Wanderléia, Cely Campelo e tantos outros artistas. Anos mais tarde, no final de 1968, apareceria a Tropicália, de Gilberto Gil e Caetano Veloso (Um bom trabalho sobre tudo isto pode ser visto nas primeiras matérias que Toninho Buda escreveu para o jornal Internacional Magazine. As matérias são: Anarquismo e Rock´n´Roll, A Obra Mágicka de Raul Seixas, Aquarius – O Tema Musical de Uma Revolução, John Lennon e o Papa do LSD. Mas também, no mesmo setor, A Era Beatles e seus Símbolos, Tropicália e Contracultura, Gilberto Gil volta para a Macrobiótica, e O Demiurgo, um filme dos Tropicalistas)
Toninho Buda se recorda principalmente da Jovem Guarda, em 1963, que assistia na primeira televisão que viu na sua vida, na casa dos amigos cujos pais podiam comprar uma, e também dos discos de Elvis Presley (que ouviu pela primeira vez na vitrola de seus primos mais velhos) e dos Beatles. Há, sim, haviam também The Animals e Chubby Checker com o Twist, que já tomava os salões de dança, nos quais se exibiam os galãs mais bem informados, com botinhas e calças de couro... O sonho de todo jovem era ter uma calça Lee (legítima). No entanto, o grande envolvimento inicial de Toninho Buda com as sociedades alternativas foi no campo da alimentação natural (ver macrobiótica), que é a coisa da qual ele mais se beneficiou. E dentro desse movimento, ele foi discípulo de Tomio Kikuchi durante muitos anos. E, tendo a macrobiótica como pólo, ele pode estender o leque para todo o universo alternativo.
Pois a sociedade alternativa, de forma geral, sempre compreendeu todas as formas alternativas de se ver o mundo e resolver os problemas do nosso cotidiano. Então podemos falar de medicina alternativa, religiões alternativas (ou seja, que não envolvem as opções cristãs, como as religiões budistas, xintoístas, chinesas, indianas, etc), família alternativa (onde os filhos são filhos da comunidade e não do casal), sexo alternativo (e muitas vezes transformado até em religião), política alternativa (para muitos, o anarquismo de Proudhon), música alternativa (o rock, para a grande maioria. A introdução da eletricidade na música causou uma revolução que demorou a se tornar bem aceita pelas culturas convencionais. Mas também foram descobertas as músicas orientais, músicas de meditação, e as muitas formas de fusão e experimentação musical que tomaram o mundo). Podemos falar ainda de pintura alternativa, agricultura alternativa, e assim por diante.

A Sociedade Alternativa de Raul Seixas e Paulo Coelho
E foi dentro do mais radical dos movimentos alternativos, as correntes iniciático/esotéricas ligadas ao mago inglês Aleister Crowley, que Toninho conheceu a Sociedade Alternativa de Raul Seixas e Paulo Coelho (os interessados em maiores detalhes, poderão consultar outros Jornais e Textos, onde estão os artigos A Obra Mágicka de Raul Seixas, O Inventário de 7 Anos sem Raul Seixas, Eu Ouvi Crowley Cantando, as 3 matérias sobre Jimmi Page and Aleister Crowley, Zé Ramalho abre o Milênio Cantando Raul Seixas, A Peleja entre Caetano e Raul Seixas, e algumas outras).
Mas o relato mais detalhado sobre a história da Sociedade Alternativa de Raul Seixas e Paulo Coelho está no livro A Paixão Segundo Raul Seixas, de Toninho Buda. É uma obra romanceada, mas baseada em fatos reais, que busca reconstruir a história oculta do mais importante dos movimentos alternativos brasileiros. Nela, os grandes aventureiros do presente se encontram com os cavaleiros andantes da Idade Média, numa atualização histórica da luta entre a cruz e a espada... Mas este livro deixa muito claro também que o espaço para os sonhadores está cada vez mais reduzido. E que a realidade está sendo cada vez mais cruel para com os românticos. Por enquanto, é o único livro que se aprofunda no tema da Sociedade Alternativa no Brasil.

A Sociedade Alternativa que Paulo Coelho tentou reativar desde o início dos anos 80
Paulo Coelho, que havia parado de compor junto com Raul Seixas em 1976 (no disco Há Dez Mil Anos Atrás), só conseguiria trabalhar com ele novamente em 1978, no LP Mata Virgem. E nunca mais. Daí para a frente, Paulo Coelho praticamente abandonou completamente as ideologias (segundo suas próprias palavras) e vagou pela CBS, viajou para as ilhas Falkands e terminou seu relacionamento com Cecília MacDowell. Em 1980 foi trabalhar na Rede Globo. Em 18 de março de 1981, promoveu, junto com Edenilton Lampião, no Rio, o I Encontro da Nova Cultura Brasileira. E foi neste encontro que Toninho Buda o conheceu e Paulo Coelho lhe propôs que, juntos, reativassem a Sociedade Alternativa no Brasil.
Como dito anteriormente, nesta época Paulo Coelho tinha uma visão mais ampla do que seria a nova Sociedade Alternativa. E ele incluía todas as pessoas ou correntes que quisessem fazer parte do movimento. No entanto, num círculo mais próximo (principalmente depois da morte de Edenilton Lampião, em outubro de 1985), acabaram ficando 5 pessoas: Paulo Coelho, Sylvio Passos (Presidente do Raul Rock Club), Edinho, Toninho Buda e o próprio Raul Seixas.

Sylvio Passos e T.Buda lançando o Raul Rock Club em Juiz de Fora, 1983.
Sylvio Passos e T.Buda na casa do Paulo Coelho, Rio, 1986.

Dois anos antes, Toninho havia conseguido colocar Raul Seixas no I Festival de Rock de Juiz de Fora (no qual ele foi junto com Sylvio Passos). Mas, na verdade, Raul Seixas não era uma pessoa com quem se pudesse contar para nada que fosse organizado. Ele mantinha a sua postura completamente anárquica com relação a tudo (e o fato de faltar a seus shows na última hora, estava fazendo também que poucas pessoas tivessem a coragem de contrata-lo...). Mas o grupo permaneceu firme no intento de fortalecer a reativação da Sociedade Altenativa. Eles chegaram a se encontrar, todos juntos, algumas vezes. Como em 22 de dezembro de 1985, quando Raul participou do show Mixto Quente (com “x” mesmo), que a Rede Globo estava promovendo na Praia do Pepino, no Rio. Eles foram se encontrar com ele antes do show e foram com ele também para os camarins da estrutura armada nas areias da praia.
 
Um Jornal chamado Sociedade Alternativa e o Manifesto nr. 11 da Sociedade Alternativa
O período mais intenso dessa tentativa de reorganização da Sociedade Alternativa realmente aconteceu em 1985 e 1986. Toninho Buda teve a idéia de fazerem um jornal e todos passaram a trabalhar na realização da mesma. Toninho fez a “boneca” do jornal em janeiro de 1986 e Paulo fez diversos contatos no Brasil todo, para articular como seria o funcionamento do periódico (que, a princípio, seria mensal). O jornal se chamaria, evidentemente, Sociedade Alternativa. Em uma performance no Parque Laje, neste período, Toninho leu diante das câmeras do Brasil todo o Manifesto nr. 11 da Sociedade alternativa (que Paulo pedira que ele escrevesse, mas o próprio Paulo acabara escrevendo, quando percebeu que Toninho não conseguia desenvolver o texto... Este manifesto, que leva a assinatura de todos os componentes da Sociedade Alternativa na época, circula há muitos anos na Internet). No entanto, como se ficou sabendo alguns anos depois, o próprio Paulo não levava muita fé naquilo tudo, pois ele já estava com contatos muito mais interessantes feitos em outras áreas.

 Boneca do jornal Sociedade Alternativa (feito por Toninho Buda) 

 O Manifesto nr. 11 da Sociedade Alternativa (escrito por Paulo Coelho, em 1986)

Em conseqüência do contato com pessoas como Kaanda Ananda (do Esoteric Shopping Center, e que era grande amigo do Paulo. Ele promovera a I Feira Esotérica no Riocentro, em agosto de 1985) e Paulo Fernando Kronemberger (o grande ufologista brasileiro que fez o I Congresso Internacional de Ufologia em Brasília, em 1983), Através desses contatos, Toninho Buda acabou promovendo o I Seminário de Ufologia de Juiz de Fora, onde foram convidadas todas as grandes autoridades da ufologia do Brasil, na época. E logo em seguida, Toninho participou do Congresso Internacional em Brasília, a convite do próprio Kronemberger, como Representante das Sociedades alternativas. E, como representante, Toninho fez várias atividades no congresso: palestra de astronomia, palestra de macrobiótica, declamou seu poema Amar Discos Voadores, ensinou a prática da Ginástica Ritmoprática (do prof. Tomio Kikuchi) e mostrou seu filme Contatos Imediatos do IV Graal, com trilha sonora de Raul Seixas e veiculando a mensagem do Novo Aeon. Foi uma pena que o filme não tenha sido bem recebido e causado um enorme constrangimento no festival, por causa de seu teor iconoclástico. Mesmo assim, tudo isso era a Sociedade Alternativa em pleno movimento abaixo do equador!
  
Globo Repórter entrevista T.Buda em S.Tomé das Letras, sobre a Soc. Alternativa

  T.Buda (sentado, centro, de óculos) com turma do Imagick em S.Tomé das Letras

Marcelo Nova, T.Buda, Kika Seixas e Sylvio Passos, teatro UFF, Niterói, set. 2004

Um comentário:

  1. por gentileza, alguém teria alguma copia ou link do filme contatos imediatos de 4 graal por favor
    hugoc.paiva@gmail.com

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